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Cirque du Soleil, o "Skywatcher" de VAREKAI.


Durante 4 anos exatos (2006 a 2010) a minha vida ficou quase que exclusivamente dedicada ao trabalho junto ao CIRQUE DU SOLEIL, vivendo o personagem "La Vigie", do show "Varekai".
Trabalhar no Soleil é uma experiência única, como todas as experiências da vida devem ser.

Mas voltemos no tempo para saber um pouco dessa aventura...

Comecei no Cirque du Soleil dia 12 de junho de 2006. Antes, em 2002, um amigo (Wanderson Damaceno) fez minha inscrição para uma audição (mas eu não compareci). Dois anos mais tarde, ele fez o mesmo e, desta vez, garantiu minha presença na audição me levando pessoalmente de Minas até o Rio (mas dessa vez eu até queria fazer a dita audição, já que queria que algumas pessoas do Rio me conhecessem).

Fiz a audição e 10 dias depois me ligaram, pedindo um video com um estudo sobre o personagem "Skywatcher", de Varekai. Mandei o video mas me disseram, algumas semanas depois, que haviam optado por um ator canadense. Um ano depois o cirque du Soleil volta a me ligar e me dizem: "se você ainda quer trabalhar conosco, o personagem é seu!". Eu quis e assim começou essa aventura, com aproximadamente de 1.500 apresentações nas costas, tendo viajado por mais de 10 países, conhecido diferentes públicos e lugares.


O Cirque du Soleil não é um lugar para se aprender, senão para se aplicar o que você aprendeu ao longo de sua carreira. Claro que, entanto, nunca é possível deixar de aprender, ainda mais quando aquilo que você faz é parte de sua paixão de viver.Aprendi, apreendi e reaprendi muito sobre meu trabalho, sobre o público, sobre como viver numa grande companhia e com tanta companhia...

Os links mais interessantes para saber sobre o espetáculo VAREKAI são:

- Site oficial do Varekai:

- Video da cena "Soundmacinhe"
Nesse video o ator que faz o Skywatcher é o John Gilkey, criador do personagem.
- Video da cena "Lightbulb".
Também com John Gilkey.
- Entrevista e ensaio em Lisboa.
- "Soundmachine" - Video "caseiro" comigo.- "Lightbulb" - Video "caseiro" comigo e Brad Denys.

Teatro de Formas Animadas - uma paixão.

O "TEATRO DE FORMAS ANIMADAS" é uma de minhas grandes paixões. Basicamente o teatro de "formas animadas" pode ser considerado aquele onde o artista se usa de diferentes "centros de expressão" para se comunicar. Assim, máscaras, bonecos, luzes, sons, objetos diversos passam a tomar vida nas mãos de um manipulador/ator.

O universo imenso escondido por trás das primeiras obras que assisti me cativaram e me convidaram para uma viagem que ainda está no começo.... no universo das formas animadas, é sempre começo.

As primeiras lembranças que tenho desse tipo de atividade são as mais importantes lembranças de minha infância, quando passava horas e horas brincando com meus "amigos". Eram amigos de todos tamanhos, formas e cores que me ajudaram a construir uma visão de mundo. Esses amigos tinham diferentes origens: comprados em lojas, ou presentes de familiares, vinham em alguns doces da época, encontrados na rua etc. etc. Ao lado, uma foto de alguns deles.

Depois, ao longo dos anos, fui assistindo espetáculos maravilhosos, como "Na Pontinha do Sonho", do Silvino Fernandes, com o Grupo Zero e Patati Patatá ou "Giz" e "A Flauta Mágica", do Grupo Giramundo.

E, um dia, chegou a hora de trabalhar!!! Meu primeiro espetáculo com bonecos foi justamente com o Silvino Fernandes. Entrei para fazer o personagem principal do espetáculo "O gatinho que bebeu a lua" apenas uma semana antes da estréia, por indicação do amigo Yuri Simon: "o Rodrigo é o único que vai dar conta disso em uma semana", disse ele ao diretor. Conta o Silvino que na primeira vez que abriu a porta e me viu, pensou, "como vou mandar esse menino embora?" e, depois da primeira leitura do texto ele repensou: "ele é perfeito para o personagem!!!". E comecei no mundo dos bonecos, isso em 1989!!!!


O primeiro espetáculo que escrevi e dirigi usando "formas animadas" foi um teatro breve intitulado "Um sonho de fantoches", que contava uma historiazinha bem simples: uma "Maria Bonita", apaixonada pelo "João Mocinho" é raptada pelo "David Vilão" e resgatada pelo seu amante e, assim, vivem juntos para sempre. Em cena, atores faziam as vezes de bonecos. Uma montagem bem simples, feita por estudantes de teatro e levada a escolas e espaços públicos de Betim. Divertia.

Posteriormente fiz outros trabalhos, de maior ou menor projeção, mas sempre me encantaram, como dois trabalhos realizados as pressas para congressos da Sokka Gakai em Belo Horizonte ou o espetáculo incrível do Grupo Armatrux: "Armatrux, a Banda".

video
O "Grupo Armatrux", com o qual trabalhei e fui parceiro durante mais de dois anos, é um grupo que admiro demais, pela perseverância e profissionalismo de sua equipe. Fica aqui minha homenagem a eles.


Outra boa parceria foi com o Grupo Matraca de Teatro. Com eles fiz a Direção de Atores do espetáculo "Safári de Histórias", dirigi o espetáculo "Tem Dó, Marlene, Tem Dó" e, ainda, fiz os textos para uma incrível exposição sobre a "História do Pão", para um congresso de panificadores de todo o Brasil, onde colocamos 12 quadros com bonecos em tamanho natural, contando a história do pão ao longo de 6 mil anos!!







Se quer uma dica para entender e apreciar mais o "teatro de formas animadas" eu aconselho uma de minhas bíblias, o livro "Teatro de formas Animadas" , de Ana Maria Amaral. Clique na capa que você poderá ler esse livro na net... mas o melhor mesmo é tê-lo sempre em mãos!!

MANIFESTO A FAVOR DA REGULAMENTAÇÃO DO USO DE ANIMAIS EM CIRCOS.

Meus estimados visitantes:

Tomo a liberdade de escrever-lhes porque, tendo viajado por tantos paises nos últimos anos, ainda me sinto brasileiro e acredito na democracia em nosso país.

Sou artista de circo, um dos apenas 36 brasileiros que atualmente representam o Brasil no CIRQUE DU SOLEIL. Eu, como tantos outros circenses, tenho pouco tempo para escrever ou para estar na luta cotidiana por nossos direitos, pois, como outros tantos trabalhadores do Brasil, estamos espalhados pelo país e pelo mundo trabalhando.

Escrevo-lhes para, rapidamente, tentar passar alguma informação e sentimentos que me movem sobre a questão dos ANIMAIS EM CIRCOS.

Vendo todo o movimento no Brasil e conhecendo circos e leis sobre arte e cultura em vários paises, quero, se possível, aclarar alguns fatores sobre o tema, pois existem discursos cheios de mentiras espalhados por aí, discursos levianos, se profundidade, sem conhecimento do tema ao qual abordam de maneira tão supérflua, omitindo informações ou adequando-as aos seus objetivos.

1 – Não é verdade que “os circos maltratam animais”, o que sim é verdade é que existem seres humanos que maltratam animais e esses sim devem punidos. Não devemos tratar os circenses como criminosos indiscriminadamente, estamos falando de trabalhadores, pessoas que, por gerações, levaram espetáculos, divertimento e emoção aos mais longínquos rincões do nosso Brasil, lugares onde nem o governo havia chegado, nem a televisão, nem água encanada, nem luz elétrica. O único contato com o mundo exterior, em muitos desses lugares, era o circo, o rádio e os vendedores ambulantes.

2 – Não é verdade que "o mudo inteiro é contra animais em circo". Enquanto muitos paises, principalmente na Europa, tratam as artes circenses como um patrimônio cultural a ser protegido, criando leis de proteção aos animais sem, contudo, desrespeitar e agir intolerantemente contra uma arte milenar, no Brasil estamos atacando o Circo Tradicional, julgando indevidamente, tratando irresponsavelmente, antidemocraticamente e ilegalmente. Estamos agindo de maneira anti-ética e amoral com um categoria trabalhista reconhecida pela nossa constituição. Em última instância, estamos atacando os alicerces de nossa democracia.

3 - Não é verdade que o chamado "Novo Circo é contra o uso dos animais em circo e por isso não os utiliza em cena". O Cirque du Soleil, por exemplo, é um dos assinantes de manifestos que defendem o Circo Tradicinal e o uso de animais em espetáculos, sempre que o bom trato aos animais prevaleça. Companhias de circo-teatro no Brasil também têm a mesma postura. Somo todos, circo tradicional ou novo circo, contra os maus tratos a animais e a favr de uma regulamentação que defina, claramente, as necessidades básicas para que um animal possa estar presente em espetáculos ou em atividades diversas, tais quais animais de companhia, de caça, de guarda, policiais, para alimentaçã, para exibição pública etc. etc.

Leitores, eu sou artista circense, escoteiro, ecologista e, sobretudo, cidadão brasileiro. Eu defendo as leis, mas, sobretudo, defendo o caminho da tolerância, da legalidade, do respeito, da cidadania plena. Orgulho-me do meu país a ponto de reconhecer seus acertos e erros.

É por isso que tomo-lhes tempo para pedir atenção a essa questão de animais em circos e tantas outras que, muitas vezes, são tratadas de maneira superficial e, então, injustamente catalogadas diante um único rótulo, o rótulo da intolerância, provocado pelo não conhecimento profundo do tema, pelos achismos, pelos modismos e por um hábito não salutar de julgar tudo dentro do certo ou errado, sem pensar nas diferentes possibilidades ou na multiplicidade de fatores pertinentes ao tema.

Lembremos que punir nunca foi o melhor remédio (lembram-se das lições deixadas pela ditadura? das guerras em nome de deuses, em nome de religiões?). O que peço - pedimos - os circenses, é que se REGULAMENTE a questão dos animais em circo, e não só do circo, mas de toda a relação humano-animal que co-existem em nossa sociedade.

A "REGULAMENTACÃO" É NECESSÁRIA. Devemos estabelecer leis específicas para a proteção dos animais SIM, e que essas leis sejam cumpridas, e que aqueles que desrespeitem as leis sejam punidos, mas que aqueles que se mantenham no respeito a essas mesmas leis possam ter a dignidade do trabalho.

Existem pessoas competentes, bem informadas, representando os artistas circenses e a arte popular, dentro do Ministério da Cultura, nas Câmaras Setorias, em diferentes espaços do próprio governo, ou em entidades privadas, nos âmbitos federal, estaduais e municipais. Escutem essas pessoas, peçam ajuda e informação. Será mais trabalhoso, mas será mais correto, mais justo.

Antes de formarem sua opinião sobre este ou outro qualquer tema, informem-se, discutam com amigos, comparem com outras situações similares.

Como seres humanos, devemos prezar pela dignidade de todos os animais, inclusive a nossa própria.

E que um dia, em nosso país, consigamos entender que o Circo é uma tradição popular, uma manifestação cultural que deveria ser apoiada pelo poder público, e não alvo de manifestações que, em alguns momentos, parecem envolver fins excusos e não somente o bom trato aos animais.

A seu dispor, para qualquer outro esclarecimento.

Rodrigo Robleño
Artista, escoteiro, palhaço e cidadão.
www.robleno.eu